quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2014 - o meu balanço em diversas áreas

O ano de 2014 para os portugueses foi um ano sem história. Os casos BES e Sócrates tornaram-se uma montra da justicialização crescente e da queda de um sistema de poder que durou décadas. O bom exemplo dessa mudança de paradigma, a sucessão de Jardim nos últimos dias do ano na Madeira.
Deixo o que achei melhor em 2014 na minha opinião:

Personalidade Mundial: Papa Francisco
Personalidade nacional: António Costa
Melhor ministro: Paulo Macedo
Melhor líder: Francisco Lacerda (CTT)
Políticos jovens a acompanhar: Mariana Mortágua (BE), Duarte Marques (PSD), Sérgio Azevedo (PSD, Graça Fonseca (PS)
O que não gostei: a crescente justicialização da sociedade portuguesa. Uma coisa é a Justiça que é nobre, outra, são os justiceiros

Literatura

Biografia: "Winston Churchill - Uma Vida", Martin Gilbert, Bertrand Editora
Ensaio - "Massa e Poder", Elias Canetti, Cavalo de Ferro
Romance - "O Filho", Phillippe Meyer, Bertrand Editora
Português - "O Segredo do Hidroavião", Fernando Sobral, Parsífal
O que não gostei (mas compreendo): a crescente ocupação das livrarias portuguesas com culinária e erotismo de vão de escada para domésticas.

Cinema

Obediência (Craig Zobel), A Emigrante (James Gray), A Grande Beleza (Paolo Sorrentino), Viva a Liberdade (Roberto Andó), Under the Skin (Jonathan Glazer), Em Parte Incerta (David Fincher), Filomena (Stephen Frears), Locke (Steven Knight)
Duas notas: Ainda não vi o "Boyhood" do Richard Linklater e queria deixar uma sugestão ao Público que mude de críticos de cinema pois estragam o excelente suplemento cultural

Séries

Novas: True Detective, The Knick, The Affair (absolutamente geniais)
Continuaram e algumas terminaram: Boardwalk Empire, The Newsroom, House of Cards, Good Wife, Hannibal
Nota: Para quando Portugal a apostar na criação de um núcleo de séries como deve ser?

Música

Evento: Lisb //ON - Jardim Sonoro
Melhor ao Vivo: Dam Funk
CD Internacional - Neneh Cherry
Português: Capicua
Revelação: Hélder Russo, "Soul machine", editora Groovement
Nota: Ouvi muito deep house e comprei poucos cd`s.

Desporto

Atletas: Cristiano Ronaldo, Rui Costa, Marcos Freitas
Treinadores: Jorge Jesus, Leonardo Jardim, Nuno Dias (Futsal)
Dirigente: Pedro Miguel Moura (Ténis de Mesa)
Programa Desportivo na TV: Moeda ao Ar (Económico TV, desculpem mas gosto do meu programa) e o do Carlos Daniel na RTP-I
Melhor comentador Tv: Carlos Daniel
Melhor analista na imprensa: Nuno Santos e Bruno Prata (ambos no Record)
Duas notas: a passagem negativa de João Manha pelo Record e a manutenção de Rui Oliveira e Costa na televisão

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Os 20 que mais gosto de acompanhar no Facebook

Por ordem alfabética

Alda Magalhães Telles
Barbara Baldaia
Carlos Reis
Eurico de Barros
Francisco da Silva
Inês Maria Meneses
Isilda Sanches
João Villalobos
José de Pina
Luis Paixão Martins
Manuel Rocha
Miguel Somsen (MC Somsen)
Nuno Roby Amorim
Nuno Rogeiro
Nuno Santos
Paulo Ferrero
Paulo Querido
Raquel Costa (A Gaja)
Raquel Marinho
Ricardo Saló

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Personalidades da comunicação 2014: António Cunha Vaz e Luis Paixão Martins

Sou amigo dos dois. E gosto muito de ambos. Estilos diferentes, mas não incompatíveis. É sabido da sua rivalidade e dão-se horrivelmente. Mas não deviam, para bem do nosso sector de Conselho de Comunicação.

São as duas grandes personalidades da comunicação em Portugal, donos das maiores agências de comunicação do País e têm algo que é o fundamental neste sector: influência. Porque nenhum cliente em comunicação contrata criatividade nem outras valências e há muitos que continuam em busca do bezerro de ouro, mas nunca terão influência.

São ambos guerreiros. Mas todos os líderes são guerreiros, são é melhores estrategas que os simples guerreiros. O António tem no seu sangue o melhor do networking, o Luis tem no seu sangue o melhor da comunicação. Por isso, se se juntassem as duas personalidades teriam a personalidade perfeita. Mas não há perfeição e o mundo é belo porque é imperfeito. Mas quero dizer com isto que, juntos (sem casamentos empresariais), seriam mais fortes e a nossa indústria também.

Do trabalho do António este ano destaco os CTT, a FPF e Champions League e Altice. No último caso, recordo o seu estilo de combate ao escrever um artigo no Público a defender o seu cliente com transparência e clareza. Mas guardo também uma bela entrevista que deu ao Luis Osório na RTP2, de longe a sua melhor, ele que por vezes erra em algumas entrevistas que dá, como o próprio reconhece. E continua com a mesma boa energia e boa disposição que conheço desde 1995, ele que ainda foi meu administrador de uma revista que criei e dirigi entre 1998 e 2001.

Mas quando menciono o trabalho dele, logicamente que na sua equipa tem bons profissionais. Este ano, estão ou estiveram na CV&Associados, o David Damião, o Telmo Carrapa, a Susana Monteiro, o Miguel Morgado, o João Villalobos, a Carlota Burnay, o Ricardo Salvo, David Soromenho ou o José Pedro Abrantes. Uma equipa grande que o tem ajudado.

Do trabalho do Luis, apesar dele dizer que está cada vez mais fora e a gozar a vida, e tendo hoje em dia a sua estrutura a direcção de clientes e equipas por parte da Catarina Vasconcelos e a área de gestão do grupo LPM nas mãos do João Paixão, o que é certo é que o Luis não dorme. Parece aqueles jogadores que andam adormecidos e de repente num passe de mágica fazem toda a diferença ou marcam golos. E continua com a curiosidade intelectual que todas as grandes mentes têm. E julgo também que não deixou de mandar mails, logo cedo quando acorda, por volta das 6 da manhã. Por isso, reforma é só quando um homem quiser.

Destaco este ano, a gestão reputacional e mediática de Isabel dos Santos, o BES (quando era bom), Nike e BMW (curiosamente o carro que mais cresceu em Portugal no último ano). E do seu estilo guardo duas memórias em 2014: o regresso dos seus pensamentos sobre comunicação no blog a Teoria do Q e a guerra, o tal lado guerreiro, que acompanho com curiosidade com o "activista" Rafael Marques. Sim, activista, como aparece mencionado em vários jornais e a quem a Justiça portuguesa mudou os fundamentos do seu processo, como se as regras dos jogos mudassem depois do apito inicial do árbitro à medida de quem mete os processos.

Na estrutura global da LPM, estão ou estiveram em 2014 a Maria Garcia Luis, o João Paulo Velez, a Sandra Silva, o Paulo Padrão, Isabel Carriço, o Hermínio Santos, a Joana Machado, o Gonçalo Vilela Santos, a Patrícia Afonso, o Pedro Rio ou a Carla Bulhões que têm desenvolvido bom trabalho.

O sector de Conselho em Comunicação teve um ano razoável, mais de sobrevivência do que de crescimento. Mas muita gente continua sem conhecer a importância do nosso trabalho, a mais valia para o robustecimento de marcas, instituições, empresas, pessoas, que todos os dias com profissionalismo realizamos.

Comunicação é vida, a vida é comunicação, é uma frase minha que aporta a importância que os consultores de comunicação têm com o seu conhecimento na sociedade actual. O nosso sector tem uma associação que não existe. Chama-se APECOM mas não tem notoriedade nem representatividade, e nem todos estão ali representados nem são associados, logo, não tem credibilidade. É tempo de repensar, de reforçar e mudar a área associativa do sector de Conselho em Counicação. E isso só poderá ser construído com a participação e contributo das duas maiores agências: a LPM e a Cunha Vaz & Associados.

dando os parabéns aos dois pelo trabalho em 2014, o meu desejo para 2015 é que, como Obama e Castro que desbloquearam o relacionamento Estados Unidos/Cuba, o António e o Luis conversem. Que mantenham os seus interesses geopolíticos, a sua rivalidade no mercado, mas devem convergir em termos de reforço e promoção da nossa actividade. Todos teremos a ganhar com isso.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

José Sócrates e "The Newsroom"

«Eles não têm coragem de me prender», terá dito José Sócrates apanhado numa escuta. Para quem vê a terceira temporada de "The Newsroom", criada pelo Aaron Sorkin, viu a estrela do canal Will McAvoy (Jeff Daniels), antes de ser preso a dizer o seguinte: «afinal não sou tão estrela de TV como julgava».

domingo, 14 de dezembro de 2014

As estrelas no seu próprio mundo

«No facebook, no twitter, somos estrelas das nossas páginas. Fazemos selfies, somos o nosso próprio paparazzo. Quando é que uma pessoa normal teve esse tipo de poder? Nunca, até agora»

David Cronenberg, em entrevista ao Expresso

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Sugestões para a semana

Livros

"Debaixo do Vulcão", Malcolm Lowry, Relógio d`Àgua, 347 páginas. Se me impusessem a escolha de dez livros para levar para uma ilha, este era um deles. E como em tempos de Natal há mais tempo, dêem a vós próprios o gosto de lerem uma obra marcante. Uma descida aos infernos numa sinfonia poética.

"Contos", Thomas Mann, Bertrand Editora, 294 pág. Um dos grandes escritores da história da literatura, cada palavra uma reflexão sobre a vida e os seus conflitos. Esta é a edição que junta alguns dos seus melhores contos.

"A Estátua Assassina", Louise Penny, Relógio d`Água, 312 pág. Se há escritora que me surpreendeu nos últimos tempos no campo dos policiais, foi esta autora canadiana. Menos dura, menos cortante, mais dedutiva e rica nos diálogos do que os autores nórdicos. Neste caso, o seu inspector Gamache dá mais passos no sentido de ser o verdadeiro sucessor de Hércule Poirot.

Cinema

Em casa, a estreia em televisão no TVC2 de "a Grande Beleza", de Paolo Sorrentino, com mais uma genial interpretação do seu actor-fetiche, Tony Servillo. Terça, 22h. E na quinta também no TVC2, espreitem às 22h, um pequeno grande filme: "Obediência", de Craig Zobel, fita independente que ganhou vários prémios, um pesadelo que nasce num restaurante de "fast-food". Dois magníficos filmes.
A comprar, deixo a sugestão de a bom preço terem a oportunidade de comprar 3 filmes do grande Billy Wilder: "Primeira Página", com uma dupla de actores sensacionais, Jack Lemmon e Walter Matthau; "O farrapo humano", melhor filme e realizador de 1945 premiado com os respectivos Óscares, com um enorme Ray Milland totalmente dependente do álcool e que só é salvo com o amor de uma mulher; e por último, um dos meus preferidos de sempre "Double Indemnity- Pagos a Dobrar", um dos mais míticos "film noir" de Hollywood, com Barbara Stanwyck a dar cabo da cabeça de um agente de seguros para darem um golpe do baú e o instinto que dá sinais no estômago ao mítico Edward G. Robinson que não se deixa enganar.

Séries

A acompanhar as estreias da semana, Librarians e The Intruder, e a continuar fascinado com a última temporada do Boardwalk Empire, e a história dos primórdios de Nucky Thompson.

Documentários

Na terça, 19.50h, duas horas com a história da emergência dos potentados económicos dos Emiratos.  Na quarta, à 1.35, "François Truffaut - Uma autobiografia", onde o grande realizador francês expõe as suas obsessões, a sua vida, a sua inspiração.

Música

Comprei muito poucos cd`s este ano, o que recomendo é o último que adquiri da Mary J. Blige, "London Sessions", onde ela se cruza com os Disclosure e outros artistas britãnicos.

Restaurante

Há muito poucos restaurantes em Lisboa onde o cenário é o verde e não há mais nenhum onde para se lá chegar tenhamos a oportunidade de ver cavalos. Por isso, recomendo o Jockey, no hipódromo do Campo Grande, que para lá do cenário e da qualidade de vida que oferece, tem uma cozinha fantástica, um atendimento com o chefe de sala, o Rafael, que é dos melhores de Lisboa e uma oferta de vinhos variada. E é um restaurante discreto, o que é um dos sinónimos da qualidade.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Conselho a políticos

Em 1922, Winston Churchill foi derrotado e não eleito para o Parlamento. «Ele pensava que o seu mundo tinha chegado ao fim» e partiu seis meses de Inglaterra. Nessa altura, Margot a mulher de Lord Asquith escreveu-lhe o seguinte conselho:

«Deixe-se estar; não foaça nada em política, continue a escrever e a pintar durante todo o tempo; não se junte aos seus antigos colegas que estão a fazer prodigiosas figuras de burros em todos os aspectos. Conserve amigos em cada porto - não perca nenhum. Os navios piratas são inúteis em tempo de paz. O seu couraçado está de momento fora de acção, mas se tiver a paciência de um Disraeli, com o seu notável temperamento, espírito brilhante e natureza bondosa, não vingativa, antevejo-lhe ainda um grande futuro».

Martin Gilbert, "Winston Churchill - Uma Vida"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O sexismo e a miss Bumbum

Há pouco tempo no El Pais, a actriz Jennifer Garner queixava-se do sexismo de Hollywood. Menos papeis e menos importância para as mulheres a partir de determinada idade em que a beleza vai perdendo o seu fulgor.

E dizia que agora já podia comer pizza à vontade, pois não tem de preocupar-se com posar em roupa interior como muitas vezes aparecia na série "Alias" (A Vingadora, em Portugal), que a popularizou.

Casada com Ben Affleck, ambos estiveram numa daquelas sessões em que durante uma hora, com intervalos de quatro minutos, as pessoas lhes podem colocar questões. A ela, toda a gente lhe perguntava como «consegue gerir trabalho e família». A ele, a pergunta mais colocada foi sobre «as mamas da actriz Emily Ratajkowski» (que contracena com ele num pequeno papel "Em Parte Incerta»).

Ontem, ficou a saber-se que Andressa Urach, de quem jornais portugueses fizeram capas e capas com ela, a Miss Bumbum, está internada e muito mal num hospital por causa de uma das múltiplas operações que fez para melhorar o corpo. O seu caso é um exemplo preventivo para muitas miúdas que sonham com o vazio lado da fama.
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Porque a beleza é efémera, o talento é eterno. É isso que indústrias como a moda e Hollywood ainda não perceberam. E estes dois casos são uma lição.

domingo, 30 de novembro de 2014

Sugestões para a semana

Livros

"Winston Churchill - Uma Vida", Martin Gilbert, Bertrand Editora, 958 páginas. Uma enorme biografia de uma gigante personagem. Um presente ideal para nós próprios neste Natal. Tudo sobre um dos maiores homens de Estado do século XX.

"O Homem na Areia", Kepler, Porto Editora, 501 pág. Kepler é o pseudónimo de um casal sueco que constrói policiais magistrais. A quarta aventura do comissário Joona Linna aqui contra um maquiavélico inimigo.

"O Leopardo", Jo Nesbo, D. Quixote, 643 pág. Para mim, Nesbo, norueguês, é o melhor autor de policiais da actualidade. Já os li todos e estou a terminar este que segue o fortíssimo livro anterior, "O Boneco de Neve". A personagem Harry Hole é das mais bem construídas e os enredos são escritos no granito. Portentoso.

Cinema

Em casa, chamo a atenção para os "Buddenbrook", a versão de 2008 que passa no Arte, amanhã às 19.50h, com alguns dos grandes actores alemães da actualidade, a saga da família burguesa de Lubeck, criada por Thomas Mann, uma das grandes obras da literatura.
De 1 de Dezembro a 21 de fevereiro, a Gulbenkian volta a exibir cinema no seu grande auditório. Uma programação de João Mário Grilo que a estruturou nu humor, com grandes realizadores. Recomendo a compra do passe que custa 30 euros. Para verem Woody Allen, Nanni Moretti, Chaplin e muitos outros.

Séries

Em vários canais, a acompanhar neste momento Gotham, Boardwalk Empire, The Newsroom (ambas na sua última temporada) e Mentes Criminosas que estreia mais uma temporada na quinta no AXN.

Documentário

No Arte, na terça às 19.50, "EUA- A lei das armas". Que aborda a temática do porte de arma nos Estados Unidos, onde mais de 30 mil pessoas morrem alvejadas por ano.

Restaurante

Ali ao Rato, o "S". De noite é um bocadinho barulhento, mas ao almoço está calmo e a cozinha é excelente e a preços em conta.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Os heróis e os maus por quem sabe

«O meu herói é sempre um homem comum a quem acontecem coisas extraordinárias, e não o contrário. Por esse mesmo motivo faço com que os maus sejam encantadores e educados. (...) O que é verdadeiramente aterrador nas personagens perversas é o seu charme superficial, o seu ar amistoso»

Alfred Hitchcock, nas Grandes Entrevistas da História (publicadas pelo Expresso)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Sousa Veloso

Só um grande comunicador conseguia transformar a agricultura numa coisa interessante para os filhos da cidade como eu. Éramos miúdos naquela altura em que o TV Rural da RTP era um programa bandeira da estação.

Sempre com uma cara alegre, explicando as vivências das pessoas que trabalhavam a terra, explicando como chegava à nossa mesa aquilo que comíamos. Um grande senhor da televisão que parte. Como ele diria, dizendo adeus aos telespectadores, «despeço-me com amizade» e que descanse em paz.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Os 3 activos Antónios do PS

Para lá da sua história na democracia, para lá do passado que nunca deve ser apagado, o PS tem hoje três activos que valem votos:

- António Costa. Um bom político, com críticas naturais em Lisboa, que é uma esperança para o partido e que é uma pessoa séria. Há quatro dias, todos jogavam o pleno que seria o próximo primeiro-ministro. Hoje, tem de ser muito melhor e mostrar inequivocamente que ele e a sua equipa serão os melhores para Portugal.

- António Guterres. Como Primeiro-Ministro não deixou grandes saudades, mas é um homem inteligente, culto, sério. Um bom ser humano. Só Marcelo o pode derrotar no caminho para Belém, apesar de lhe apetecer mais ser Secretário-Geral da ONU.

- António José Seguro. Nunca renegou o passado, mas nunca se colou ao passado mais próximo. Os media nunca gostaram muito dele, mas a ética na política sempre se mostrou a sua matriz. É uma boa pessoa, séria e honesta. E tem ainda muito a dar ao PS.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A reposição das subvenções vitalícias dos políticos

Sobre esta medida cozinhada pelos partidos no Parlamento, tenho a dizer o seguinte:

1- A maior estupidez politica do ano.

2- Medida de quem não conhece o país real e acha que as pessoas, esmifradas pessoalmente e empresarialmente até ao último cêntimo, são estúpidas.

3- A classe política não é nenhuma aristocracia e não tem de ter privilégios especiais.

4- A classe política precisa de quem trabalhe mais, tenha conhecimento da economia e não de lobistas disfarçados e de apparatchiks do sistema.

5- Quando repuserem reformas e pensões de quem trabalhou toda uma vida e quando roubarem menos as empresas, então depois se pense na classe política.

6- São os próprios políticos, com este tipo de medidas, que geram revoltas nas pessoas e semeiam a descredibilização da sua actividade.

7- A política é para as pessoas e não para os políticos. E esquecem-se todos os dias disto.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A música das séries

Cada vez melhores, como no cinema, são elas que ditam o clima que se vai seguir. Neste artigo do El Pais do qual recomendo leitura, aqui andam Hannibal, The Knick, entre outras. E estejam atentos às bandas sonoras que são também uma arma de comunicação.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O estilo de Olivia Pope

Olivia Pope, a actriz Kerry Washinton, é a personagem que lidera "Scandal", uma série de gladiadores e gladiadoras de fato. Um grupo de consultores de comunicação e "fixers" que trabalha com a Casa Branca e realiza uma série de operações de "damage control".

Olivia tem marcado tanto pela sua personalidade e guarda-roupa que uma marca americana, a Limited, decidiu lançar uma gama de roupa «para mulheres que lideram». Segundo a actriz, «esta colecção foi criada para que todas as mulheres possam encontrar o seu gladiador interior. É a prova de que podem ser poderosas, sexys, brilhantes, inteligentes e lindas e estarem na vanguarda da moda». Que chegue então a marca a Portugal.

domingo, 16 de novembro de 2014

Marques Mendes sabe tudo menos uma coisa

Marques Mendes ao sábado na SIC mostra que é um dos homens mais bem informados do país. Sabe tudo sobre tudo, dá "cachas" e novidades sem par. Mas só não sabe uma coisa: o que acontece nas empresas em que é sócio. Extraordinário. Um sabichão. Um moralista da casa alheia, na sua não sabe de nada.

A fama e os que a rodeiam

«A fama não nos muda. Muda todos à nossa volta», diz com sapiência Benedict Cumberbatch. Um actor que muito será falado para os Óscares deste ano e que já deve estar a sentir os efeitos da mesma.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O segredo estava na sopa

Cristiano Ronaldo quase todos os dias bate um record ou ganha um troféu. Perguntaram-lhe se o segredo era se, quando pequeno, comia duas sopas. Ele respondeu com graça que era verdade e que, actualmente, come três sopas por dia.

Por isso, os pais das crianças que não gostam de comer sopa, têm aqui um exemplo para convencerem as crianças. E um exemplo de que o trabalho aliado ao talento traz sucesso.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Governo apoia Bárbara Guimarães

O título deste post é uma acusação de Manuel Maria Carrilho. Que se deu ao trabalho de fazer uma conferência de imprensa para cair no burlesco de dizer este disparate. Já escrevi que esta guerra na praça pública é quase uma insanidade, uma falta de escrúpulos para dizimar a mãe dos seus filhos e, acima de tudo, uma tragédia para as crianças.

Crianças, essas, que crescerão com este trauma de guerra aberta, de polícias, de acusações de uma mulher que até perseguiu Carrilho com uma vara na escola (isto divulgado por ele) e um sem número de acontecimentos que não beneficiam a imagem de ninguém.

Para lá das crianças, as que mais sofrem, até a crueldade de outras crianças na escola, há familiares, que naturalmente estão a ser massacrados com este filme de terror. E muita gente já esqueceu que Carrilho foi ministro da Cultura, candidato a Lisboa, comentador em televisão e jornais, embaixador de Portugal na Unesco. Em suma, uma triste figura. Eu e muita gente gostaríamos de nunca mais escrever sobre este assunto. Para bem das crianças.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O «desprezo» a Portugal

«O Governo de Timor expulsa magistrados, procuradores e oficiais de justiça portugueses que se encontravam no país em serviço de cooperação com o mesmo grau de hostilidade com que se expulsam espiões. Em Angola a representante do BES atrasa-se na sequência de uma operação stop e é impedida de participar numa assembleia que, num ápice, anula a posição portuguesa maioritária que o banco tinha na sua filial BESA. No Brasil, os accionistas da Oi preparam-se para vender a PT sem, que se saiba, dar cavaco ao Governo, apesar da fusão entre as duas operadoras ter resultado de um acordo político firmado pelas boas relações entre José Sócrates e Lula da Silva.
Há uma palavra capaz de caracterizar estas três situações: desprezo»

Manuel Carvalho, ontem no Público

domingo, 9 de novembro de 2014

A "legionella" e o ébola

Quando há possíveis epidemias instala-se o pânico. Até surgir o primeiro caso, tudo parece que não é nada connosco. Depois, é que vêm os problemas e os cuidados, naquela máxima bem portuguesa «depois de casa roubada, trancas na porta». Por isso deixo duas interrogações:

1- Ontem, hoje e nos próximos dias, Portugal terá no centro da sua agenda mediática a "legionella". Se com este problema já é o espectáculo que é, o que seria se houvesse um caso de ébola em Portugal? Estaríamos preparados? Julgo que não.

2- Para lá do problema em si, salta à vista que em termos de comunicação nem as pessoas estão bem alertadas, nem os responsáveis máximos têm qualquer tipo de preparação para enfrentar a arena mediática nem explicar bem os riscos que ocorrem. Custa muito saberem comunicar? Custa muito terem preparação específica para nestes momentos não parecerem que estão no Paleolítico?

sábado, 8 de novembro de 2014

A t-shirt cinzenta de Mark Zuckerberg

Um tipo milionário que usa sempre uma t-shirt cinzenta nas suas aparições públicas é estranho? É. Mas perguntaram isso ao homem que a usa, Mark Zuckerberg, e ele respondeu da melhor maneira possível para a sua reputação:

«Vestir sempre uma t-shirt da mesma cor garante-lhe que tem de tomar o menor número de decisões possível, deixando-lhe margem para se preocupar apenas com as decisões que se relacionam com "a melhor maneira de servir a comunidade"».

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Rui Rio tem razão

Rui Rio diz que a crise do país «não é económica, mas política». E tem razão. Há muito que se assumiu no cerne do debate político o primado das finanças. Todos os dias somos brindados com a presença de amanuenses e contabilistas a analisar Portugal.

Assim, fala-se muito mais de números do que dos verdadeiros problemas das pessoas. Perdeu-se a alma e ganhou o excel. Portugal precisa de uma ruptura para que possam surgir as reformas que continuam por fazer. E tem de se falar mais de política. 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

José Gomes Ferreira: jornalista ou político?

José Gomes Ferreira admite entrar na vida política, numa entrevista concedida ao I. Não com estes partidos, mas num cenário de pessoas com competência técnica que criassem um novo.

José Gomes Ferreira é um jornalista competente e com conhecimentos técnicos nas áreas da economia e finanças. E ganhou relevância porque hoje se discute mais contabilidade e números do que política e pessoas. Há quem aprecie o estilo, outros não gostam.

Um jornalista tem a liberdade como qualquer outro ser humano de emitir opiniões. Agora, ao admitir uma carreira política, perde um pouco a sua credibilidade. Porque, quando o ouvirmos, deixaremos de ter a certeza que tem a isenção que todo um jornalista deve ter e passamos a pensar se ele já está noutra via, com outras ideias.

Não é caso novo, já tivemos outros. Mas há uma barreira que não deve ser separada entre um decisor e um jornalista/comentador. Até para evitar promiscuidades. E se querem a minha opinião, ele dará sempre melhor jornalista que político.

A Verdade do Vinho

Eu gosto particularmente, enquanto espectador e contribuinte, que a RTP tenha bons projectos e programas. Na RTP2, especialmente, ainda se encontram ideias que nos fazem fugir ao primado actual do cabo.

Chama-se A Verdade do Vinho, apresentado por Luis Baila e Sónia Araújo, um despretensioso programa sobre o vinho, uma das nossas maiores riquezas e ao qual os nossos solos e clima transmitem uma enorme qualidade que depois podemos apreciar.

Aqui aprendemos sobre tudo o que se relaciona com o vinho. Ainda no programa de ontem aprendi sobre a diferença das barricas de carvalho português e francês, por exemplo. Os apresentadores fazem um jogo de conversa entre eles que cativa o espectador. Ele, muito sabedor, ela, curiosa, mas ambos muito simpáticos e a terem paixão no que estão a mostrar e a transmitir.

Ao mesmo tempo que desenvolvem a modernidade do que se passa, vão mostrando os lugares da história, como ontem com os lagares de azeite no granito criados pelos romanos em Trás-os-Montes, deambulando por um Portugal que é lindo e que é um espaço de grandes castas.

Mas o vinho é também as pessoas. As que o produzem, as que o bebem, as que se juntam numa mesa em convívio, como aquela boa gente transmontana. Novos e velhos, ricos e pobres, numa transversalidade rara em muitos produtos.

Como dizia ontem um enólogo, «os vinhos não são feitos para os entendidos, são feitos para os consumidores» Exactamente como este programa, simples, com gosto, bem produzido, promovendo Portugal e as suas gentes, para todos e ao alcance todos, um verdadeiro serviço público e é para isso que serve a RTP.

PS: que pena a RTP2 não estar em HD, seria sublime para algumas imagens que são apresentadas, fica a sugestão construtiva.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A beleza das rugas

A sociedade moderna perde demasiado tempo com a imagem. A sua volatilidade parece que combina com os dias de hoje onde se é uma celebridade por 15 minutos e onde o longo prazo é uma semana.

Ainda na semana passada, Renee Zellwegger foi tema de debate por se ter submetido aos ditames do bisturi e até perdeu o papel de Bridget Jones por causa disso. Mas no meio da espuma dos dias, há sinais de que a classe, o charme, a intemporalidade da beleza e o carisma se impõem.

Helen Mirren aos 69 anos tornou-se embaixadora da L'Oréal. Ela que nunca foi uma beleza de outro mundo, mas nunca deixou de ser interessante. Uma ruga é uma experiência de vida, é uma marca na história. E as pessoas identificam-se com quem tem uma história para contar. As belezas perfeitas demais até podem no momento chamar a atenção, mas amanhã já nem nos lembramos delas.

domingo, 2 de novembro de 2014

Sugestões para a semana

Livros

"O Pintassilgo", Donna Tartt, Editorial Presença, 893 páginas. Venceu o Prémio Pulitzer, considerado o melhor livro de 2013 e para mim do melhor que estou a ler em 2014. Minha companhia desde domingo passado, completamente entusiasmado com a entrada de Theo no mundo do crime. Recomendo totalmente.

"Os Salteadores do Nilo", Steven Saylor, Bertrand Editora, 375 pág. Eu sou um grande admirador, tenho todos os livros, de Gordiano, o Descobridor. O investigador criado por Saylor bem no meio da Roma Antiga. Desta vez a sua capacidade de observação andará por Alexandria. Mas os pormenores históricos continuam soberbos como desde o primeiro livro "Sangue Romano" ou depois o excelente "Enigma de Catilina".

"Amálgama", Rubem Fonseca, Sextante editora, 142 pág. O grande escritor brasileiro é um dos meus "xodós". Esta não é de perto nem de longe uma das suas melhores obras. Mas no meio do seu bizarro e burlesco, há sempre algo de genial.

"Dicionário Ilustrado do Vinho do Porto", Manuel Pintão e Carlos Cabral, Porto Editora, 571 páginas. Obra sumptuosa e quase definitiva sobre uma das nossas marcas mais conhecidas no mundo. Para enólogos e para o cada vez maior número de curiosos sobre o vinho, uma obra indispensável.

Cinema

Na televisão o filme da semana dá na RTP2 no sábado às 22.30: "A verdade do medo". O último filme realizado na América por fritz lang. Daquelas obras que marcam a colheita dos anos 50, com Joan Fontaine e Dana Andrews.
Para comprar, aproveitem o preço baixo de "As Noites de Cabíria", um dos grandes filmes, e um dos meus preferidos, de federico Fellini.

Séries

Na televisão continuo a sugerir a crueza e a genialidade de "The Knick", realizada por Steven Soderbergh e no topo do elenco Clive Owen. A surpreender-me pela qualidade dos protagonistas e com uma história e diálogos fantásticos "The Affair", ambas no TVSéries.
Para comprar, aproveitem a preço de pechincha a compra das 5 temporadas de uma das melhores séries jamais criadas: The Wire.

Documentários

Na terça, no ARTE, às 22.50h, "China; Entre fracturas e mudanças". Sobre os movimentos democráticos na China, 25 anos depois do massacre de Tiananmen.

Revista

É quase um livro, de capa dura, a edição especial da "História" (francesa), "Tintin et la mer". Todas as explorações, tesouros, barcos que povoam todas as aventuras do repórter mais conhecido do mundo.

Restaurante

Colina, numa perpendicular da 5 de outubro, a mesma simpatia de sempre, boa cozinha, peixe e carne de categoria.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A imprensa abutre

As estrelas têm pés de barro. E os media salivam com os podres das estrelas. São duas verdades associadas. Hoje, José Carlos Pereira é tristemente capa do Correio da Manhã. As imagens expostas matam a reputação de qualquer um, as do jovem actor ainda mais pelo lastro de disparates que tem cometido ao longo do tempo em que tem exposto a sua vida.

Mas para lá dos erros do actor, dos quais só ele é responsável, houve uns pulhas que tiraram fotos e se aproveitaram daquele momento de fragilidade e um jornal que não teve pudor em as publicar. José Carlos Pereira há muito que caminha para o abismo mas não vejo ninguém a ajudar. Apenas abutres a empurrar.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

No Brasil ganhou Lula e o medo

Primeiro o PT estava a arrasar Aécio Neves, até ao dia em que caiu o avião que levava Eduardo Campos. Depois, com a ascensão de Marina Silva, pouparam por instantes o candidato do PSDB para tirarem a santa do santuário e passarem o tractor por cima de Marina. Até voltarem com as técnicas sujas e do medo a dizimarem Aécio. Assim, de maneira simples, deixo o que se passou na campanha brasileira em termos tácticos na comunicação política.

Nesta segunda volta, em que Aécio herdaria os 22 milhões de votos de Marina depois do apoio por ela expresso, o que ressalta é a entrada de Lula e da sua popularidade. Jogando o seu prestígio e todos os programas sociais que legou aos brasileiros.

Lula e a campanha do medo do PT. Acusaram Aécio de ir acabar com os programas sociais que mantêm as vidas de milhões de brasileiros. O ex-presidente chegou a chamar ao PSDB, um partido criado por gente de liberdade como fernando Henrique Cardoso e Mário Covas, «nazi». Uma manipulação e desconstrução de Aécio com esta narrativa do medo.

Veja-se o que se passou em Pernanbuco e Minas Gerais, decisivos para a vitória de Dilma. O primeiro estado que citei, de onde era Eduardo Campos, deu a vitória a Marina na primeira volta, agora a candidata do PT ganhou aqui com mais de 70 por cento dos votos. E Minas, terra de Aécio e bem governada por ele, também caiu para Dilma.

Dilma não entusiasmou ninguém, E Aécio trouxe a mudança mas não a soube explicar bem e nunca na sua narrativa a impôs. Lula e os programas sociais ganharam esta eleição. Não sei se isto basta para os próximos anos do Brasil que continua atolado em corrupção.

sábado, 25 de outubro de 2014

O talento de Cristiano e Messi e os dentes de Suarez

Hoje às 17h o mundo vai estar vidrado no duelo das duas  maiores equipas de Espanha, dois colossos universais de seguidores, dois dos maiores génios da história do futebol - Cristiano Ronaldo e Messi - e ainda haverá a possibilidade de outro grande talento, Luis Suarez,reaparecer e morder outra vez mais alguém.

As estrelas e o seu talento comunicam com as pessoas. Vão ser 400 milhões de pessoas a assistir a este clássico do melhor desporto que já inventaram. Um espectáculo total.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

10 anos de Durão Barroso na Comissão Europeia

Dez anos de crises. De reputação da Europa, das dívidas soberanas, rebentamento de instituições financeiras, do crescimento do desemprego e sobretudo do desemprego jovem, ameaças de nacionalismo, guerra nas fronteiras, crescimento quase nulo da economia e ainda nunca se sentiu como hoje que a União Europeia não interessa a ninguém e está mediocremente fraca.

O presidente da Comissão Europeia que nunca foi dono disto tudo, apenas um capacho dos desejos de Angela Merkel, dá pelo nome de Durão Barroso. Diz que se despediu do Parlamento europeu com um bonito discurso e terminou com "Auf wiedersehen, goodbye, au revoir, adeus».

Ainda bem disseram todos, respirando de alívio. Eu acrescento um adeus da minha parte e que nunca mais volte a Portugal. Já temos cá muita porcaria.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

As filiações secretas dos políticos

O DN noticia que o «PSD ameaça obrigar políticos a declarar filiações secretas». Pois não devia ameaçar. É que quando se quer matar uma pessoa, mata-se. Não se avisa antes que o vão matar.

E nesta questão é trabalhar-se com transparência para melhorar a democracia e não enganar as pessoas. Por que é que um deputado diz que é do Sporting ou do Vitória de Lisboa e não revela a todos os eleitores que o escolheram, e ainda lhe pagam o salário, se é da Maçonaria, Opus Dei ou da Sacra Corona Apuliana?

Este é um assunto em que se deve "matar", não ameaçar de "matar". Estas sociedades secretas, estas "protecções" de irmãos, este obscurantismo e sombras em zonas de poder transtorna o processo democrático. Que se declarem, pois, todos os interesses. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Bares nos bairros históricos vão fechar mais cedo

Toda a gente tem o direito de se divertir, mas também toda a gente tem o direito de dormir, sobretudo nas suas casas e sem serem incomodados pelo barulho de outros. Por isso, bem a decisão da Câmara Municipal de Lisboa de mandar encerrar os estabelecimentos de diversão nocturna em Santos, Bica e Cais do Sodré  de domingo a quinta-feira às 2h e sextas e sábados 3h da manhã.

No entanto, para os que perdem a memória num instante queria recordar e sugerir à CML umas coisas:

1- Quem é que foi o iluminado que até fez uma passadeira cor-de-rosa numa rua do Cais do Sodré, anunciando com pompa e circunstância querer uma «noite de qualidade» ali, mas que trouxe apenas o caos e confusão para aquela zona que já era "cool", para os que se lembram do que era o Tokyo e Jamaica, por exemplo, antes dessa "boutade" e que depois disso raramente lá vão?

2- Como fica quem investiu em novos negócios e obras no Cais do Sodré, seguindo a aposta da própria CML e agora poucos meses depois mudam as regras do jogo?

3- Onde anda a CML que permite "botellons" em diversas zonas de Lisboa, e não só nos três bairros já citados? Querem exemplos? Já espreitaram o que se passa no muro e no jardim do Arco do Cego na  rua filipa de Vilhena? E que dizer da Rua do Arco do Cego e o que se passa numa velha taberna ao lado da bomba da Galp e bem pertinho da casa de José Sá fernandes? Mas é tudo permitido nos outros lados?

4- Como é que a CML cobra impostos de licenciamento e rendas de bares e discotecas, mas ao mesmo tempo permite todo o tipo de mercearias e lojas de conveniência em zonas de diversão nocturna (vejam Bairro Alto e Cais do Sodré) em concorrência desleal com quem legitimamente paga os seus impostos e vê uma série de crianças a consumir todo o tipo de álcool comprado nessas lojas?

5- E para quando medidas severas contra quem em cada esquina do Bairro Alto anda a vender droga à noite metendo-se com toda a gente que passa? Que imagem deixam para os turistas que por ali andam?

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Luis Duque vai ser presidente da Liga

Uma péssima escolha, um homem do velho futebol, do desnorte de dinheiro em contratações, ultrapassado e sem visão de futuro, que anda de pouso em pouso sem se saber muito que talentos tem, uma provocação ao Sporting que acaba de anunciar a intenção de o processar.

Um dia negro para o futebol português onde a podridão impera e onde nada muda e tudo fica na mesma. Duque é rating lixo, já devia ter vergonha sequer de aparecer. O seu tempo acabou há muito. Não há gente nova e limpa disponível?

O ministro que já deu quatro voltas ao mundo

Em pleno caos no seu Ministério, Nuno Crato optou para ir a um encontro sobre Telecomunicações em Milão. Chama-se a isto estar-se marimbando.

«O Ministério não adianta comentários, nomeadamente sobre a carregada agenda que levou, só este ano, o ministro a completar quase 160 mil km de voos. É o equivalente a quatro voltas completas ao mundo e passou, por exemplo, por duas visitas ao Brasil no espaço de menos de um mês. Ou a duas viagens sucessivas à China, uma das quais na comitiva de Cavaco. O ministro foi ainda a Moçambique por duas vezes, a primeira das quais incluiu uma visita à escola portuguesa, durante as férias escolares da Páscoa. Foi a Cabo Verde em julho e ao México em agosto, quando a prova dos professores arrancou pela primeira vez. Isto, é claro, sem contar com as viagens feitas na Europa ou com as obrigatórias presenças nas reuniões em Bruxelas», a notícia é do Expresso.

O ministro para lá das responsabilidades pessoais tem responsabilidades políticas. Um dia, no tempo do Governo de António Guterres, a ponte de Entre os Rios caiu. Jorge Coelho, de imediato, apresentou a demissão. É isto, a política, que o ministro Nuno Crato não percebe e ninguém lhe diz.

domingo, 19 de outubro de 2014

Obama e Nixon

Richard Nixon ficou na história americana como o presidente que saiu pela porta pequena da Casa Branca (e de helicóptero) e com a mais baixa taxa de popularidade de sempre, depois de uma série de mentiras divulgadas após o caso Watergate.

Barack Obama foi uma grande promessa de mudança (para alguns, não para mim), para a América e para o mundo, ganhou um Nobel da Paz sem justificação, mas a sua chama tem-se apagado.

Em Novembro, os EUA terão eleições para Senado e Câmara dos Representantes e o que é certo é que os candidatos Democratas não querem aparecer ao lado de Obama que tem apenas 40 por cento de taxa de aprovação do seu mandato.

Nixon e Obama são a história e o nome de duas desilusões.

sábado, 18 de outubro de 2014

Quando a Google ultrapassa o Goldman Sachs

Pode ser surpreendente para muitos, mas neste momento a Google já gasta mais em lobby e em donativos para campanhas políticas que o mais poderoso banco internacional.

Ontem, quando li a notícia de capa do Financial Times, ainda soube que todas as tecnológicas estão no primeiro pelotão dos que mais contribuem, de maneira transparente, para as lutas legislativas e políticas nos Estados Unidos.

E lembrei-me que, por cá, ainda não legalizaram o lobby que é uma actividade normal em sociedades avançadas e democráticas. E enquanto não o legalizarem continuarão a existir muitas zonas de sombra na decisão política.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Turismo de Portugal aposta em Cristiano Ronaldo

Noticia hoje o CM que o Governo português, através do Turismo de Portugal, adquiriu os direitos de imagem de Cristiano Ronaldo para a promoção do nosso País como destino turístico no mercado chinês.

É uma boa medida e por um custo baixo (cerca de 150 mil euros). CR7 é a marca portuguesa mais valiosa da actualidade, com um reconhecimento planetário e sendo uma das estrelas com mais seguidores em todo o mundo nas redes sociais.

Juntar a marca Cristiano Ronaldo, que significa talento e trabalho (muito trabalho para ter todo o sucesso que merece), a Portugal é prestigiante, motivo de orgulho para todos e uma boa aposta do Turismo de Portugal.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

As estrelas e a má gestão do seu dinheiro

Notícia interessante a publicada pelo DN (podem ler na totalidade aqui): «60% das estrelas da NBA ficam na ruína cinco anos após a reforma». Dá para meditar e pensar que não é só na NBA nem no basquetebol. Ainda há pouco Zamorano, Vieri, Brehme, e há muitos mais exemplos, deram provas de que uma gestão de carreira sem visão pode levar a que muito dinheiro possa ser perdido rapidamente.

Há a percepção de que as estrelas para serem estrelas têm de ter gastos exorbitantes e vícios caros. Gasta-se tudo no auge da carreira, pensa-se pouco no dia seguinte. Onde andam os conselheiros, os agentes, os empresários nesse momento?

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Em Parte Incerta

Quando Hollywood consegue produzir um grande filme é motivo para regozijo nos dias de hoje. Já tinha lido o livro "Em Parte Incerta" e era um thriller magnífico. Com a maestria dos grandes génios, e David fincher está na vanguarda dos melhores americanos da actualidade e já nos tinha dado o "Alien 3" (para mim o melhor da saga), "Seven", "Clube de Combate", "Benjamin Button", "Zodiac" e o primeiro Millenium, produzindo ainda a série, e realizando o seu primeiro episódio, House of Cards, constrói um grande momento de cinema.

Com dois actores em grande nível, especialmente Rosamund Pike, que faz qualquer homem temer o pior da mulher que tem ao lado e é candidata a Óscar, o filme é um exercício de "suspense", de subtilezas, de enganos, de viragens, é um jogo constante com o público.
O seu cinema é repleto de enigmas e assim está na sua plenitude ao tomar conta do livro. Mas, sobretudo para quem é de comunicação, a evidência de que a percepção é muito mais importante do que a realidade. A imagem que temos das pessoas, e muito mais de quem é figura pública, por vezes não é real.

E o momento em que entra o advogado em cena para realizar o "spin" de transformar Nick na boa pessoa e Amy na má é genial na manipulação das audiências, na mudança da percepção do público. Todo o filme é um portentoso exercício de manipulação. A não perder.

Os políticos e a audiência

«Os políticos são muito parecidos com os autores que envelhecem e com as mulheres mais velhas. A fase mais perigosa das suas vidas é aquela em que já não se contentam com o respeito dos amigos e exigem a adulação de uma audiência»

Michael Dobbs, "House of Cards", edição Jacarandá

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ministra da Justiça também já se devia ter demitido

«Paula Teixeira da Cruz vai abrir um processo de averiguações para apurar o que levou a plataforma informática a falhar desde 1 de Setembro, dia em que entrou em vigor a Reforma Judiciária».

Já pediu desculpas, ainda está em processo de averiguações, caos nos tribunais como quando chove em Lisboa e tudo como dantes no quartel de Abrantes. É assim Portugal, mas não devia ser,

As gôndolas de Veneza, perdão, Lisboa e o silêncio

Ontem voltou o caos à cidade com mais uma queda de água. Ontem, não houve desculpas com a Protecção Civil, apenas o silêncio. Nem o presidente eleito nem o presidente em exercício se ouviram, apenas o silêncio.

Como podemos observar, Lisboa não está preparada para uma crise nem para a sua comunicação. O silêncio é mau em comunicação de crise. E se chover mais, teremos muitas crises. As do tempo, as do caos provocado e as da comunicação. Lisboa não está a ser bem tratada.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A vontade de Rui Rio

Rui Rio teve de esclarecer hoje num comunicado à Lusa que nada tem a ver com as notícias que têm mencionado movimentações, a coberto de declarados «apoiantes», do ex-presidente da Câmara do Porto.

«Nas últimas semanas, especialmente depois das eleições primárias do PS, têm vindo a público diversas notícias sobre a minha pessoa", afirma Rio, considerando ser agora "oportuno esclarecer publicamente que todas" lhe "são alheias e que não teve "qualquer interferência em nenhuma delas"», tirei esta citação do DN.

Rio pode dizer que não tem planos para liderar o PSD mas quem esteja perto dele ou o tenha visto no almoço do International Club, por exemplo, como eu vi, sente que ele tem vontade de alguma coisa. Está só à espera do momento certo.

domingo, 12 de outubro de 2014

Os políticos dos dias de hoje e a imprensa

«Lloyd George e Churchill tinham sido líderes naturais magníficos, mas será que nos dias que correm os teriam deixado chegar ao topo? Um tinha sido promíscuo e vendido os seus títulos, o outro gastara  tempo demais com bebida, dívidas e mau feitio; ambos foram gigantes e no entanto nenhum deles teria sobrevivido à imprensa moderna. Agora o mundo era dos pigmeus, homens de pouca estatura e ainda menos ambição, homens escolhidos não por serem excepcionais mas porque não ofendiam, homens que seguiam as regras em vez de as fazerem»

Michael Dobbs, "House of Cards", edição Jacarandá

sábado, 11 de outubro de 2014

«Gestores da PT são especialistas na compra de prémios internacionais»

Aplaudo o ministro da Economia, António Pires de Lima, pela coragem das suas palavras. É raro que um político tenha a clareza de apontar a verdade. O que o membro do Governo disse:

«O ministro da Economia, Pires de Lima, diz que "gestão da PT é um caso de más práticas" e quer usar esse "mau exemplo" para "evitar que cenas destas se repitam". "Um exemplo chocante de destruição de valor" e de uma gestão "capturada por interesses próprios e por interesses particulares de um accionista" e "submissas a interferências políticas". "Um exemplo muito, muito mau" de uma cultura empresarial dominada por gestores com "estatuto de inimputabilidade", que são "especialistas na compra de mprémios internacionais" e apresentados "como gurus da gestão" sem nunca terem dado provas. As palavras de António Pires de Lima sobre o que se passou na PT são duras e têm vários alvos», a notícia é do Expresso.

O homem das 75 colocações

Do caos de Nuno Crato, da teimosia de o manter no Governo, a história mais trágica deste ministro da Educação. Um homem colocado em 75 escolas, é uma história do Público que pode ler aqui.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Uma pergunta que todos queriam colocar a Cavaco Silva

Queria perguntar se Cavaco Silva pensa tirar a condecoração, a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Empresarial, que atribuiu a Zeinal Bava nas comemorações de 10 de Junho de 2014?

Despir fadistas portuguesas é boa promoção do fado

Depois de conteúdos duros, mas verdadeiros, sobre algumas criaturas da política e economia aqui no blog, tenho de dizer que o maior sortudo do ano é o Bryan Adams. Conseguiu registar em poses sensuais Cuca Roseta, Gisela João, Aldina Duarte, Carminho e Ana Moura. Cinco mulheres belas e de talento e acima de tudo uma boa promoção para o fado e para Portugal. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Zeinal Bava sai da Oi com mais de 5 milhoes de indemnização

Grande prémio, 5, 47 milhões de euros de indemnização, para o "grande" Zeinal Bava que destruiu a maior empresa portuguesa. Continuem a cumprimenta-lo na rua e preparem-se para os milhares de despedimentos que irão acontecer por culpa desta criatura.

A "transparência" de Marinho Pinto

Marinho Pinto «recusa dizer se recebeu da Ordem dos Advogados um subsídio de reintegração na actividade profissional que ele próprio criou em 2008 e que lhe dava direito, em Janeiro deste ano, quando deixou o cargo, a receber 54.460 euros. “Sobre a minha vida como bastonário não tenho nada a dizer porque é uma questão de advocacia, que não faz parte da minha vida pública. Mas tudo o que fiz foi feito de acordo com a lei, com as regras estabelecidas e com o acordo dos advogados”, respondeu Marinho e Pinto ao PÚBLICO quando questionado sobre se recebeu o subsídio.

Querem continuar a ser enganados por este cavalheiro, continuem. Estão no vosso direito.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Maria Luis Albuquerque mentiu outra vez aos portugueses

A ministra, mais conhecida por Miss Swap, já mentiu várias vezes. Já o escrevi aqui mais de uma vez, mas os portugueses gostam de ser enganados (uma coisa que digo muitas vezes e sou eu o autor desta frase).

No dia em que Maria Luis Albuquerque foi à SIC realizar uma operação de charme, apregoando, "coitadinha", que não tinha poupanças, e quando alguns sabiam que ela não tinha poupanças por ter escolhido uma habitação de luxo na linha do Estoril, matou-se em termos de credibilidade. Brincar com quem não tem rendimentos, ou quem é atacado pelos impostos do Estado, ou quem é roubado nas pensões e reformas, é de mau gosto e é não ter escrúpulos.

Mas a ministra mentiu na solução do BES, e ainda por cima foi cobarde pois tentou esconder-se de uma solução em que sempre esteve envolvida. Mas hoje teve de reconhecer que na questão do BES/Novo Banco somos todos nós que vamos pagar outra vez:

«Maria Luís Albuquerque assumiu que sim, a Caixa Geral de Depósitos "pode ter perdas" com o Novo Banco. Ou seja, o Estado. Ou seja, os contribuintes. Mais de um mês depois de ter apresentado a resolução do BES como a melhor solução por não representar "qualquer risco" para os contribuintes, a ministra das Finanças reconheceu esta quarta-feira, no Parlamento, o óbvio», retiro a citação do Expresso.

É lamentável que esta sonsa que é a ministra Pinóquia tenha a lata de só agora vir dizer o que já todos nós sabemos. No entanto, e como os portugueses estão a ser enganados e gostam, queria perguntar a Marques Mendes - que a lançou para líder do PSD -, queria perguntar a tantos colunistas que a elogiam o que têm a dizer sobre isto. Mas os mentirosos é que são bons? Digam lá, mas não enganem os portugueses uma vez mais. 

O "grande" Zeinal Bava foi corrido da presidência da Oi

Não gosto de eufemismos que servem para enganar as pessoas. Zeinal Bava foi mesmo corrido da presidência da Oi, não foi ele que deixou a presidência. Os brasileiros não são os portugueses.

«A imprensa brasileira refere que a renúncia terá acontecido devido ao "desconforto" causado pela operação da PT com títulos da dívida da Rioforte, holding do grupo Espírito Santo, que deixou um 'buraco' de 847 milhões de euros na telefónica portuguesa .
 De acordo com o diário brasileiro "Valor Econômico", alguns acionistas brasileiros da Oi, nomeadamente as empresas Andrade Gutierrez e o grupo La Fonte, não acreditavam que Zeinal Bava desconhecia a operação, como o próprio afirma», tiro esta citação do Expresso on-line de hoje.

Há dois dias, aqui escrevi sem tabus, ao contrário da imprensa que o venerou, sobre o "grande" Zeinal Bava. Ontem e hoje já li notícias e editoriais a questionarem o que se passou na PT. Os mesmos que o promoveram, lhe atribuíram prémios de gestor do ano e criaram o mito do mago da gestão, agora já se esqueceram e não têm pudor em o atacar.

O desmantelamento da PT é um dos maiores escândalos da economia portuguesa. Mas o "grande" Zeinal vai continuar a ir ao Papa Açorda e a outros restaurantes caros e da moda sem qualquer pingo de vergonha e depois de ter morto a maior empresa portuguesa. No Brasil despacharam-no. Portugal continua a alimentar estas criaturas e até lhes dão condecorações no 10 de Junho.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Crato já devia ter sido demitido

Há uns anos atrás, lá por 2004, um Governo foi arrasado porque uma ministra da Educação, que era medíocre diga-se, não conseguiu colocar os professores. O ministro actual, Nuno Crato, já pediu desculpas, mas no dia seguinte tudo aconteceu muito pior. É um caos que se vive neste sector, pessoas que não dão aulas e alunos que não têm aulas.

Há um desrespeito pelos professores, pelos alunos e pelos pais dos alunos. isto não é governar é uma baderna. Portugal está farto de Nuno Crato e com razão. Só tem uma saída: a porta da rua.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O "grande" Zeinal Bava

A imprensa económica gosta de criar os seus heróis. Durante décadas era Ricardo Salgado, depois a imagem do novo "grande" gestor português tornou-se Zeinal Bava.

Este cavalheiro acabou com a maior empresa portuguesa, a PT, e a que tinha mais condições de se impor internacionalmente. Anunciou uma mega-fusão com a Oi (da qual se tornou administrador, mas que muito em breve vai deixar de ser porque os brasileiros não são bem os portugueses), como se começasse a projecção de um grande grupo de telecomunicações de língua portuguesa.

Mas hoje está a vender aos pedaços a PT, retalhando-a por completo, lesando os accionistas e naturalmente a PT já nem é portuguesa nem é nada.

Zeinal Bava esse "grande" mago que é mais uma prova de que os portugueses gostam de ser enganados. E nem comento a delapidação de 900 milhões de euros da PT no BES. Continuem a dar gás a um cromo destes até ao dia em que Portugal perca a paciência com estas criaturas.

E continuem a querer privatizar a TAP e as Águas de Portugal. Vendam tudo a preços de entulho, deixem o País a pão e água, vendam o mar e o Mosteiro dos Jerónimos também. Porque mais tarde são todos condecorados no 10 de Junho. Portugal anda a dormir.

Eleições no Brasil: tiraram a santa do santuário e a segunda volta

Até um dia, as eleições no Brasil estavam decididas. Haveria segunda volta entre os dois candidatos mais bem posicionados: Dilma Rousseff, e Aécio Neves. Mas, nesse dia, caiu um avião que matou Eduardo Campos. Aí a sua vice, Marina Silva, sobe no palanque e torna-se a candidata mais temida pelo PT de Dilma.

Nessa primeira fase de campanha, a máquina do PT de Dilma estava concentrada em cilindrar Aécio. São conhecidas as campanhas negras contra a sua reputação, chamando-lhe tudo e inventando uma série de cabalas nas redes sociais, a melhor arma para os cobardes.

Mas quando os estrategas do PT entenderam por diversos estudos de opinião que Marina superaria Aécio e podia bater Dilma numa segunda volta, aí as suas armas viraram-se para arrasar a candidata da chapa do PSB. E o que é certo é que a campanha de Dilma, superiormente comandada pelo marqueteiro João Santana, conseguiu tirar a santa do santuário e a imagem de Marina e os seus índices de rejeição caíram todos os dias.

Agora, e contra todas as expectativas, com Aécio a 8 pontos apenas da "presidenta", tenho a certeza que as ventoinhas que espalham a porcaria vão ser montadas outra vez contra o magnífico ex-governador de Minas Gerais. Vai ser uma segunda volta muito dura, uma guerra que será violenta e suja, com duas máquinas partidárias bem oleadas mas onde a aliança PT/PMDB leva vantagem sobre o PSDB.

E no Brasil, como cá, cuidado com os institutos de sondagens. Porque elas influenciam a percepção e decisão dos eleitores. Tanto a nível nacional como estadual (Rio Grande do Sul, por exemplo), houve erros bastante graves. É tempo de haver regras mais severas para quem pretende manipular eleições.
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,nunca-antes,1571915O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,nunca-antes,1571915O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,nunca-antes,1571915
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domingo, 5 de outubro de 2014

Sugestões para a semana

Livros

"O filho", Philipp Meyer, Bertrand Editora, 636 páginas. Um livro épico que estou a ler, que se passa no Texas desde o ataque dos Comanches no início do século XIX até à ebulição da indústria do petróleo naquele estado no século XX. Uma escrita vigorosa sobre o poder e a ambição de uma família. Este será um dos livros do ano.

"House of cards", Michael Dobbs, edição Jacarandá, 351 pág. O livro que inspirou a original série britânica e que depois levou à criação do maior sucesso da Netfix, com o mesmo nome, e protagonizada por Kevin Spacey. O livro é tão pérfido e perverso como o que viram na televisão e tenho publicado alguns aforismos daqui tirados no meu blog.

"A máquina do poder", Miguel Pinheiro e Gonçalo Bordalo Pinheiro, Esfera dos Livros, 202 pág. Um livro com grande ritmo e bem escrito pela ex-equipa de direcção da Sábado. Uma descrição vivida dentro das campanhas partidárias, com pormenores que ainda revelam o amadorismo da comunicação política em Portugal.

Cinema

Nas salas, a ver "Em Parte Incerta" do david fincher. Um magnífico thriller, um dos filmes do ano, de um dos melhores realizadores de Hollywood.
Na televisão, recomendo na próxima sexta, no TVC2, "Like someone in love", um grande exercício do mestre iraniano Abbas Kiarostami. Película de sentimentos de duas almas sós.

Séries

O grande lançamento da semana é a 4a temporada de Homeland, na quinta às 23h na fox. Série de qualidade com Claire Daines, mas agora sem "Brody".
A terminar, no TVSeries, na sexta, Ray Donovan, mais uma magistral série criada por Ann Biderman, que anteriormente já tinha assinado Southland.

Documentários

"Our Nixon", no ARTE na terça à noite. Imagens inéditas, em super 8, da equipa e dos tempos de Richard Nixon.
"A herança da Stasi", também no ARTE na quinta às 7.55h sobre os arquivos da polícia secreta da RDA.

Revista

A "Empire" (capa de Novembro) lança a nova obra muito aguardada de Christopher Nolan, "Interstellar, revela segredos do próximo Star Wars e assinala os 15 anos de "West Wing", uma das mais aclamadas séries de sempre

Restaurante

Primavera, no Bairro Alto, a simpatia de sempre do sr. Rafael, comida portuguesa e os melhores bifes panados de Lisboa.

5 de Outubro: sou republicano

Hoje é dia 5 de Outubro. O dia da implantação da República em Portugal. Que as pessoas não se esqueçam, apenas porque deixou de ser feriado.

Não é que a República esteja com uma saúde de ferro, mas sou republicano porque julgo que é mais importante que todos possam decidir os caminhos do seu País e não apenas alguém por direito divino ou pela hereditariedade.

A nossa causa comum é o nosso País, pena é que muitos não se interessem e passem ao lado do que verdadeiramente importa. Assim, é complicado melhorar.

sábado, 4 de outubro de 2014

Liderar um exército

«Oferecer-se para liderar um exército é muito bonito. Só que é para aí que o inimigo começa por fazer pontaria. É melhor estar uns passos mais atrás. Dá-nos tempo para encontrar o caminho por entre a pilha de cadáveres»

Michael Dobbs, "House of Cards", edição Jacarandá

Os políticos e o seu destino

«Alguns políticos pensam num alto cargo como um marinheiro pensa no mar, como uma grande aventura, cheia de imprevistos e de entusiasmo. Encaram-no como o caminho que os leva ao seu destino. Eu encaro-o como uma coisa onde provavelmente se afogarão»

Michael Dobbs, "House of Cards", edição Jacarandá. O livro que inspirou a série original que era inglesa

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A corrupção é o óleo da política

«A grande estrada do crime é a legalidade»

«Você não é de confiança, ainda acredita na honestidade, um conceito abstracto que só encontra nas gramáticas»

«Sabes o que pensam da política? Que é um pouco como as moscas: uma coisa suja, feia, inútil e dispendiosa»

«Para a democracia, a corrupção é exactamente como o óleo para o motor. Tem um cheiro nauseabundo e suja mas não se pode passar sem isso»

Todas estas citações são da série "O Polvo - 4a temporada".

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Henrique Raposo: o burro (?) do Expresso

Gosto muito do Expresso e tenho muita consideração por este grande jornal que é uma instituição de liberdade em Portugal, onde muitos amigos meus ali trabalham.

Já por diversas vezes me insurgi contra a escrita amadora, com pouca informação, profundidade e conhecimento, sem graça mas querendo ter, do Henrique Raposo. Esclareço já que não o conheço, nunca conversei com ele e do que leio dele parece-me um burro, apesar de várias pessoas me dizerem que ele não é burro.

Ontem escreveu um texto chamado "O bailarino de Mourinho" e onde depois dava cacetada no Sporting Clube de Portugal. Mais um exercício a querer ter piada e não ter, e a escrever sobre o que nada percebe, tal como um dia escreveu que na sua juventude tinha um Mundial na cabeça onde brilhou a selecção da Checoslováquia e essa selecção nem tinha estado no Mundial que ele tinha na cabeça. mas são coisas de burro ou engraçadinho na minha opinião.

Deixo uma sugestão para ele tentar melhorar: escreva só sobre o que sabe. Não escreva com preconceitos, não escreva como engraçadinho para a plateia, não escreva para fazer figura de burro. Escreva sobre aquilo em que tem competência e sabe alguma coisa. Eu, por exemplo, nunca escrevo sobre chaminés nem macroeconomia, é um mero exemplo.

Mas depois lembrei-me de uma coisa. O Henrique Raposo trabalha aonde? Que conhecimento tem do país real ou da economia real? Mas ele percebe de alguma coisa? Não sei, desconheço

E voltando ao primeiro parágrafo, o Expresso é um grande jornal e uma instituição de liberdade. E, naturalmente, deve ter a liberdade para escolher os colunistas. Sei que há jornais que escolhem os colunistas - alguns burros - para que depois haja respostas racionais e de bom senso de outras pessoas. E com isso julgam que promovem a marca. Eu julgo que não. Primeiro, a maior parte das pessoas está-se marimbando para o que pensam os burros e, segundo, as pessoas gostam de ler pessoas inteligentes, que sabem do que escrevem e que lhes trazem uma outra visão de um problema ou do mundo. Isso traz leitores. Os burros só lhes dão despesa em palha.  

O jornalismo e o jornalismo de investigação dos dias de hoje

«Infelizmente para o Jornalismo e os Media profissionais, muito do chamado “jornalismo de investigação” contemporâneo é replicar o publicado em blogues», Luis Paixão Martins (pode ler aqui o seu post)

E eu acrescentaria que até na opinião muita coisa dos Media tradicionais é "inspirado" em blogs. É o jornalismo dos dias de hoje e não sei se isso é bom sinal.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Os bustos da Sophia Loren e da Brigitte Bardot

A polémica do dia, sem interesse nenhum público como sempre, é a exposição de bustos dos Presidentes da República que está no Parlamento. Sinceramente é algo que não interessa a ninguém.

Deviam acabar com ela e expor os bustos das recentes octogenárias Sophia Loren e Brigitte Bardot. Isso era serviço público e uma bela homenagem a duas grandes senhoras.

Como se mata nos dias de hoje

«A repulsa pelo matar em conjunto é muito recente. Convém não a sobrestimar. Ainda hoje, cada um toma parte em execuções públicas através do jornal. A coisa tornou-se, simplesmente, muito mais cómoda, como tudo o mais», Elias Canetti, "Massa e Poder".

O autor de origem búlgara escreveu no início do século XX. Naquele tempo não havia ainda redes sociais. Juntem os linchamentos dos jornais às partilhas das notícias nas redes sociais e temos a arte de matar no século XXI.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

O herói

«Que quer o herói? A que aspira ele, realmente?, A fama, que todos os povos tributaram aos seus heróis, uma fama tenaz, que dificilmente se extinguia, contanto que os seus feitos fossem diversos ou se seguissem uns aos outros com suficiente rapidez, engana quanto aos motivos mais profundos que levaram a esses feitos. Admite-se que, para os heróis, se tratava apenas da fama, mas eu creio que, a princípio, lhes importava algo diferente: tratava-se do sentimento de invulnerabilidade, que, desse modo, lhes era possível adquirir num rápido crescendo»

Elias Canetti, "Massa e Poder", edição Cavalo de ferro

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A "chica-espertice" mal disfarçada de Marcelo Rebelo de Sousa

Já há muito tempo que deixei de ver as prédicas da agenda pessoal de Marcelo Rebelo de Sousa aos domingos. Não gosto de comentadores pagos a analisar e a envenenar a realidade consoante os seus interesses.

Por isso, foi no DN que li que Marcelo quer uma remodelação do Governo e «especificou três ministros que no seu entender deveriam ser imediatamente substituídos: Miguel Poiares Maduro (ministro adjunto), Paula Teixeira da Cruz (ministra da Justiça) e Nuno Crato (Educação)».

Ora, onde é que está a "chica-espertice"? Marcelo menciona dois ministros que pediram desculpa por erros (Teixeira da Cruz e Crato) para ir ao pote que lhe interessa, o do terceiro mencionado.

Explico: Poiares Maduro e a sua equipa não tem nos últimos tempos cometido muitos erros. Já os cometeu no passado por inexperiência política e tenho a certeza de duas coisas: 1- Poiares Maduro está muito menos ingénuo da máquina dos interesses do poder do que quando entrou no Executivo e sabe onde andam as sombras a gravitar; 2- Pode ter defeitos, mas é um tipo sério e está imune a corrupção. E eu respeito muito os políticos que aprendem e tentam melhorar todos os dias e os que são sérios e incorruptíveis.

Poiares Maduro vai gerir as muitas centenas de milhões de fundos comunitários que irão ser distribuídos em Portugal por projectos que valham a pena a partir de 2015, nomeadamente autarquias, e dava muito jeito a muita gente que fosse um facilitador de fundos obscuros e de ambições pessoais a dar dinheiros aos amigos. Só cai na conversa de Marcelo quem quer, a mim há muito que não me engana.

E agora Costa e o seu tempo

«Nada mais poderoso que uma ideia cujo tempo chegou», Victor Hugo. E a ideia, não as ideias, é o próprio António Costa.

São anos de preparação para o seu tempo. Com um "killer-instinct" - não há líderes sem "killer instinct" - que soube apurar o momento e matar. Chegou o seu tempo, agora vamos ver o que vale António Costa.

domingo, 28 de setembro de 2014

E o vencedor das primárias do PS é...

... Lisboa.

sábado, 27 de setembro de 2014

Amanhã o PS vai a votos e um novo ciclo

Termina amanhã uma longa campanha pela cadeira do poder no Largo do Rato. E foi muito longa, cansativa, de má qualidade, deprimente em muitos momentos. Depois de amanhã, arranca um novo ciclo.

Um ciclo em que o Governo está abalado por um caso do passado de Pedro Passos Coelho e de onde o PS sai dividido para a construção de uma alternativa. Serão tempos complicados, de alguma desconfiança dos portugueses face às opções que terão de tomar nas próximas legislativas.

As pessoas precisam de voltar a acreditar (slogan de Sócrates em 2005, curiosamente) na política e nos seus intérpretes. Este é o maior desafio para o novo ciclo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

«Quero acabar de vez com esta conversa» e a reputação

A declaração que coloco no título do post é dada por Pedro Passos Coelho e reproduzida na manchete de hoje do Sol. Todo o problema suscitado pelo Público com a Tecnoforma é o dossier mais complicado que o Primeiro.Ministro já enfrentou.

Costumo dizer que há três coisas que não têm preço: a nossa saúde, o nosso tempo e a nossa reputação. No caso de PPC é a sua reputação que está em causa. Ele construiu-a como um homem sem luxos, comedido nos seus gastos, que vive em Massamá, que descansa no Verão numa casa humilde em Manta Rota. Um homem em termos de seriedade com uma reputação à prova de bala.

E este caso do passado, de contornos pouco nítidos, é um tiro no porta-aviões da sua credibilidade e bloqueia, naturalmente, o Governo. Não faço juízos de valor, nem monto nenhum tribunal popular sobre a sua situação. Mas PPC tem de apresentar um esclarecimento claro, que não deixe dúvidas, ou a sua reputação está definitivamente manchada..

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

«São todos uns ignorantes e idiotas»

É assim, com o mencionado no título do post, que Mário Soares se refere aos membros do Governo. Podemos ter opiniões, mas um ex-Presidente da República tem responsabilidades acrescidas. Julgo que desde há uns tempos Soares devia ser poupado pelos media. Calado não fere a sua reputação.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O que há em comum entre a Casa dos Segredos e as primárias do PS

O número de simpatizantes que se inscreveu no PS para as primárias é superior ao número de candidatos à Casa dos Segredos, mas todos têm em comum uma coisa. Todos querem ver se lhes toca algum.

Fernando Santos: um engenheiro para a reconstrução da selecção

Poucos dias após a derrota com a Albânia, escrevi que a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) não tinha outro caminho do que encontrar uma solução para substituir Paulo Bento.

Após essa derrota disse que Paulo Bento tinha perdido o mais importante: a confiança de todos os portugueses e isso era irreversível. E dei três sugestões: Fernando Santos, Rui Jorge e outro nome a treinar um clube e que seria a solução mais complicada de se conseguir.

Fernando Santos é uma boa escolha. Um homem experiente, com mais de 900 jogos realizados enquanto treinador, com passagem pelos três grandes, pela Liga dos Campeões e com presenças em Mundiais e Europeus pela Grécia.

É um engenheiro para a reconstrução da selecção. Um homem que merece o respeito de todos por ser credível, um bom ser humano e um bom treinador que poucos atacarão. E a selecção precisa de paz para os dois trabalhos principais deste novo ciclo.

O primeiro, voltar a que as pessoas se apaixonem pela selecção, acreditem nela, que sintam que são os melhores que a representam, sem amiguismos e sem favores a empresários. E tenho a convicção que Fernando Santos escolherá os melhores e é imune a pressões porque é um homem de carácter e firme nas suas opções.

O segundo trabalho, a reconstrução de uma nova geração, aproveitando o bom caminho trilhado pelas selecções mais jovens onde há talento e apurar Portugal para o próximo Europeu. Para o novo seleccionador o meu desejo de boa sorte.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A comunicação política e as agências de comunicação

Devem as consultoras de comunicação actuar e trabalhar na área da comunicação política? Por seu lado, devem os players da política recorrer às agências de comunicação?

Começando pela segunda pergunta, julgo que sim e temos casos bem evidentes. Dando dois exemplos: desde os primeiros passos do Governo de Passos Coelho, foram evidentes os problemas de comunicação. E ao contrário de outros, este Governo nunca recorreu a agências de comunicação de maneira continuada e estratégica. Outro exemplo são as actuais primárias do PS, que se têm pautado por uma manifesta falta de qualidade,e e onde os dois candidatos se deram ao trabalho de dar uma página inteira de notícia do DN para mostrarem que não trabalhavam com agências de comunicação, recorrendo ambos a "voluntários", segundo a expressão usada na reportagem.

Com estes dois exemplos, fica bem patente que porventura as consultoras de comunicação poderiam dar um contributo mais profissional, com outra visão e de muito maior qualidade como já deram no passado a todos os partidos, com excepção de PCP e BE.

Voltando à primeira pergunta, julgo também que sim, apesar de determinados riscos reputacionais para as consultoras ontem apontados pelo Luis Paixão Martins neste seu post. Recordo também dois exemplos: António Costa atacou reputacionalmente António José Seguro tentando colar o seu adversário ao mesmo consultor de Menezes em Gaia, dando um lado de sombra muito negra às agências de comunicação. Depois, vários trabalhos jornalísticos sobre câmaras municipais destacam quase sempre as ligações por ajuste directo das citadas a consultoras de comunicação.

No caso de ataque de Costa, ele é também fruto do nosso sector ainda não ter conseguido explicar bem o trabalho que faz, a mais valia que é para os nossos clientes, instituições, marcas, na sua projecção e notoriedade e também na condução da gestão da sua reputação de maneira objectiva e profissional.

No segundo caso do ataque às agências de comunicação, onde por vezes por desconhecimento se baralham as coisas e metem agências de publicidade e prestadores de serviços variados que não são especialistas em comunicação e nada têm a ver com consultoras que desenvolvem trabalho apreciado e sério, é bom que se esclareça que os ajustes directos não são ilegais e por terem um valor abaixo do determinado pela lei, as autarquias ou outras instituições podem escolher por livre vontade os profissionais em que mais depositam confiança para atingir os objectivos estrategicamente determinados e que passam pela divulgação do trabalho realizado e por uma relação de transparência com munícipes e "stakeholders".

Na magistral série "Deadwood" dizia-se «se não pedimos preço, perdem-nos o respeito". Mas um facto é que os serviços prestados pelas consultoras de comunicação são ajustáveis aos objectivos e à dimensão do cliente e do trabalho realizado. Não são nenhum bicho de sete cabeças.

Assim sendo, e apesar de alguns riscos inerentes ao nosso trabalho, Portugal tem bons especialistas em comunicação política, não são muitos, mas o mercado e os "players" da política sabem quem são. E as agências de comunicação são parceiros importantes, que trazem outra dimensão, mais foco, mais profissionalismo, mais experiência e uma visão global que não está encerrada nas dinâmicas internas de uma organização partidária. Não podemos estar de costas voltadas, na comunicação política os melhores estão nas agências de comunicação.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

As Marcas que não se enganem...

«O consumidor não é um idiota»

David Ogilvy

domingo, 21 de setembro de 2014

Sugestões para a semana

Livros

"Contos Completos - Volume I", Vladimir Nabokov, Teorema, 363 páginas. Edição de capa dura, tão fabulosa como a magia do escritor de Lolita junta letras sobre a beleza, a angústia, os dilemas da natureza humana. Livro essencial.

"Massa e Poder", Elias Canetti, Cavalo de Ferro, 605 páginas. Deste escritor, de origem búlgara e Nobel da Literatura, já tinha recomendado o genial "Auto de Fé" que muito prazer me deu ler. O de hoje demorou 38 anos a ser criado, é uma obra que junta várias áreas do saber - religião, economia, política, história, literatura - mas que se torna um tratado sobre o poder.

Cinema

na televisão recomendo no próximo sábado ás 16,35h no TVC2, "O Capital", de Costa Gavras, velhinho e talentoso realizador que sempre criou obras relacionadas com o poder, como o mítico "Z- A orgia do poder", com Yves Montand e Jean-Louis Trintignant. Neste é sobre o poder do dinheiro, do submundo da banca, tão útil para os dias de hoje.
No TVC4, na quarta, às 23h, um dos filmes, para mim, mais subvalorizados produzidos em Hollywood: "The Prestige - O Terceiro Passo", de Christopher Nolan, com Christian Bale, Hugh Jackman, Michael Caine (notável papel secundário) e Scarlett Johansson. No mundo da magia, a rivalidade, o ódio, a luta por querer ser o melhor.
Nas salas, no Nimas, e a comprar em caixa, depois da já editada trilogia de Apu (que já tinha recomendado e é indispensável para quem é cinéfilo), mais seis filmes de Satyajit Ray, o grande mestre do cinema indiano: «"A Grande Cidade", "Charulata", "O Santo", "O Cobarde", "O Herói" e "O Deus Elefante"

Séries

Ando a seguir uma grande série chamada "Blacklist", com o James Spader, que ainda não tinha visto e dá no "late-night" da SIC. E a minha expectativa para a semana é a estreia de "The Knick", criada e realizada por Steven Soderbergh, só isso basta para atrair, com o Clive Owen e carimbo HBO. Estreia no TVSeries na terça às 23h

Documentários

No TVC2, amanhã às 11.20h, recomendo um magnífico documentário chamado "Fórmula 1" que relembra os tempos em que havia as grandes estrelas das pistas, os campeões da história da modalidade, os duelos, os acidentes mais traumáticos. Para matar saudades.
No National Geographic, um documentário de Stephen Hawking sobre a ciência do futuro.

Passeio e descanso

Para escapar ao bulício da cidade, recomendo uns dias de repouso na Cerca do Sul, na Costa Vicentina, mais propriamente em Odeceixe que tem sido citado em várias publicações como um bom destino para relaxar. Ainda por cima é de uma amiga minha. Podem procurar e marcar via a sua página no facebook.

Restaurante

Juntando a melhor varanda de Lisboa com a melhor vista do Tejo, comecem a regressar ao SILK, em plena Rua da Misericórdia, que agora tem um menú simples e de qualidade mas que vai agradar.. 

O misterioso mundo das finanças

«O mundo das finanças é um mundo misterioso onde, por muito incrível que possa parecer, a evaporação precede a liquidação. Primeiro o capital evapora-se a depois a companhia é liquidada»

Joseph Conrad, "Vitória"

sábado, 20 de setembro de 2014

Os "históricos" do PS e PSD de Marinho Pinto

A imprensa por vezes cria histórias que dão para pensar. Nestes dias tem dito que o novo partido de Marinho Pinto tem pescado históricos do PS e do PSD.

Ora, o Expresso de hoje traz a carta de despedida do histórico do PSD ao seu partido onde escreve o seguinte: «Com efeito, as minhas discordâncias já são, há muito, de natureza ideológica essencial à caracterização do partido e à natureza de Estado de Direito Constitucional Democrático e Social, que a população maioritariamente pretende».

Mas qual é a ideologia do partido de Marinho Pinto? Não é apenas a sua truculência verbal no programa do Goucha? O populismo de cata-vento ao agrado do momento? Apenas a personalidade messiânica (ele acha isso) do próprio?

Há quanto tempo estes ditos "históricos" não tinham intervenção pública? Agora são grandes reforços porque dá jeito? Isto é um partido de uma só pessoa, não tem ideologia nenhuma. É apenas um meio.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O poder das amantes

Gosto de mulheres, do mérito das mulheres, do talento das mulheres. Venceram preconceitos, conquistam o seu espaço, vão impondo-se calmamente, não abandonando a família mas com prazer no seu trabalho.

Depois, ainda há aquelas tristes notícias que não dignificam as mulheres em que, por motivos desconhecidos, algumas atingem cargos sem que tenham competência, experiência ou talento para os mesmos.

É o que se passa com a senhora Alina Kabayeva, a amante de Putin, ex-atleta de ginástica rítmica, que como experiência mediática tem apenas a apresentação de um talk-show e que agora vai liderar uma das maiores e mais poderosas empresas de media da Rússia.

Porquê? Não sei, são os segredos da alcova. Daqui a uns anos, se calhar, publica umas memórias como a Monica Lewinsky ou aquela senhora gaulesa que publicou "A Puta da República". Deste tipo de mulheres não gosto. 

A notícia mais estúpida do ano e o mau "spin"

A notícia mais estúpida do ano vem hoje na primeira página do "Sol" e diz assim: «Moedas é última oportunidade da Europa». Porque digo isto?

1- A ´notícia, e o título, é mesmo estúpida.

2- Como se a Europa soubesse quem era ou estivesse interessada no Moedas

3- Carlos Moedas é um tipo simpático, mas de Ciência e Inovação sabe tanto como eu de chaminés.

4- O Governo quando quer fazer spin de uma escolha sua, devia saber que o mau spin dá uma má notícia e por vezes transforma-se numa coisa ridícula , como é o caso. Mas o Governo não sabe, pois nesta área tem um exército de amadores.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Secretário de Estado da Cultura promete nova lei antipirataria

Mas os piratas não são eles?

terça-feira, 16 de setembro de 2014

"Casa dos Segredos" tem o dobro de candidatos das universidades

O Diário de Notícias traz hoje na sua primeira página uma das notícias mais chocantes que tenho lido. A "Casa dos Segredos" teve nos "castings" cerca de 105 mil candidatos. O choque é que o número é mais do dobro dos candidatos ao ensino superior.

Isto é um murro no estômago para quem acha que esta é a geração mais bem preparada de sempre, outro dos mais estúpidos jargões que puseram a circular.

Um País miserável, inculto, com uma produtividade medíocre, onde 105 mil almas querem 15 minutos de fama para depois andarem a circular em discotecas, a fazer capas de revistas com histórias de cama e a não serem nada, apenas um punhado de vazio. É triste e é chocante.

Dilemas da independência da Escócia

Se perguntar às pessoas se têm simpatia por algum país para lá daquele em qual nascemos, todas dirão que, por diversos motivos, têm. Eu tenho simpatia pela Escócia, pela Itália,  pela Grécia, entre outros, só mencionando países europeus.

É certo que a Europa é apenas um continente, não havendo ainda uma identidade europeia. A Escócia pertence à Grâ-Bretanha mas tem a sua identidade própria, os seus costumes, a sua cultura, as suas indústrias (muitas de ponta), o seu petróleo.

O seu direito a sonhar com a independência é natural. Não por terem uma má relação com a Raínha, mas porque acham que podem construir o seu amanhã em pista própria.

Quem assiste a esta campanha na Escócia sente uma certa simpatia pelos seus propósitos. Mas, por outro lado, sente também os riscos que dela podem derivar. Não os da própria Escócia com a vitória do "Sim", mas porque esse "Sim" pode desencadear outros combates como o da Catalunha (já no terreno), o do País Basco, o da cisão da Bélgica ou a Baviera ("lander" mais rico da Alemanha) a querer também a independência, entre outros.

O dilema maior não é o da Escócia, é o do crescimento dos nacionalismos numa Europa que perde poder todos os dias e ainda não compreendeu os países que a integram.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

35 anos do Serviço Nacional de Saúde

O Serviço Nacional de Saúde celebra hoje 35 anos. Também se deve elogiar o que temos de bom. O SNS deve melhorar todos os dias e não ser desmantelado todos os dias. Não é de esquerda nem de direita, é de todos, ao alcance de todos. Os portuguese agradecem.

domingo, 14 de setembro de 2014

Sugestões para a semana

Livros

A Ilha, Aldous Huxley, Antígona, 458 páginas. Depois do "Admirável Mundo Novo", o seu contraste de uma civilização de paz, livre, ideal que começa a ser cobiçada pelas restantes. Um espelho do homem e do mundo. Um grande livro, com uma edição muito mais cuidada do que a velhinha dos Livros do Brasil.

O Capitalismo Estético na Era da Globalização, Gilles Lipovetsky, Edições 70, 500 pág. O design, a publicidade, o cruzamento entre indústria, cultura e moda. Um livro para pensar.

O Amigo Andaluz, Alexander Soderberg, Porto Editora, 487 pág. Para os amantes de policiais este é o primeiro de um tríptico acabado de publicar por cá. Mais um autor sueco, de traços ríspidos, sobre o tráfico de armas.

Cinema

Na televisão sugiro no TVC2, para quem ainda não viu, "A vida de Adéle", de Abdellatif Kechiche, um dos melhores do ano passado. E procurem o "Morangos Silvestres" também TVC, a obra-prima, para mim, do Ingmar Bergman.
No videoclube do NOS espreitem "Under the Skin", de Jonathan Glazer. O olhar sobre os humanos de uma extraterrestre. Tem planos tão geniais como no "Stalker" do Tarkovsky.

Séries

Os que gostam de séries têm estado em quase jejum de estreias vai para dois meses. A surpresa desta rentrée anda na fox Life, chama-se "Mr. Selfridge" e tem um Jeremy Piven ao nível do seu papel em "Entourage".

Documentários

"Eastwood realiza", sexta às 22h no TVC2. Documentário sobre os 40 filmes já realizados por Clint Eastwood, com vários depoimentos e bastidores.

"Mittal, a face escondida de um império". Terça, 19.50h no Arte. Lakshmi Mittal, indiano, é um dos homens mais ricos do mundo, emprega 250 mil pessoas e o aço é a base da sua riqueza.

Restaurante

Entre Copos, almocei lá duas vezes esta semana, continua a mesma simpatia e os peixes grelhados e as sardinhas estão em grande.

Usaram a reputação de Vitor Bento

Nesta embrulhada do BES/Novo Banco, que deixa qualquer pessoa atónita, uma nota para Vitor Bento. Todos o retratam como um homem de bem e assim parece ser. Tinha uma reputação à prova de bala, apesar de não ser um banqueiro.

Usaram o maior património de uma pessoa, a sua reputação, para uma manobra de desmantelamento do banco do qual só a médio prazo conheceremos todos os contornos. Vitor Bento podia não ter aceite o convite para liderar esta instituição e até podia não ter dado a entrevista à SIC em Agosto, talvez esses os seus maiores erros.

Porém, julgo que a sua reputação, apesar desta muito curta passagem, está intacta. Agora, os outros que o meteram nesta operação negra é que vão ter sérios problemas de reputação em breve.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Marinho Pinto: o Maria vai com as outras

Desde o tempo em que era Bastonário da Ordem dos Advogados, que se adivinhavam as ambições políticas de Marinho Pinto. Depois, usou o trampolim de notoriedade do mercado das domésticas que lhe é proporcionado pelo programa de Manuel Luis Goucha para vender o populismo que é o discurso onde se sente bem.

A seguir colou-se a um partido com pouca expressão para ser eleito deputado europeu. Logo em seguida, anunciou que ia abandonar o cargo para o qual se elegeu, para atacar outros lugares.

E agora marimba-se para o MPT e vai criar um novo partido, do qual desconhecemos a matriz ideológica, mas que por certo seguirá o vento do que seja mais conveniente no momento.

O discurso o mesmo de sempre, a arruaça contra a classe política como se ele fosse o ungido e o salvador do sistema, os temas que agradem ao povo menos esclarecido, mas soluções não tem nenhumas, apenas a sua imagem.

A política deve ser séria, no conteúdo e na acção, não pode ser terreno de uma Maria vai com as outras.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Os portugueses gostam de ser enganados

Quem ler este post, por certo irá pensar em muitas coisas em que os portugueses gostam de ser enganados. Mas escrevo-o sobre um fenómeno recente: os blogs de estrelas, ou melhor, estrelinhas da televisão e revistas sociais.

Como negócio é legítimo e legal e têm todo o direito de o criar. Agora, basta ter bom senso para saber que a maior parte deles é quase um "endorsement", pois não são essas personalidades que os escrevem, pois algumas mal sabem dizer mais do que "bué" e "fixe".

Mas com a sua notoriedade atraem os incautos que depois são bombardeados por produtos, sugestões compradas e demais promoções, e tornam esses blogs uma actividade comercial. Quem quer lê e até pode gostar, a liberdade é usada por cada como lhe aprouver. Eu não perco o meu tempo e não gosto de ser enganado.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O duelo Costa vs. Seguro na TVI

A minha análise ao primeiro debate para a liderança do PS na TVI é muito simples:

António Costa foi para a Quadratura do Círculo. António José Seguro foi para um duelo. O primeiro foi para dizer umas coisas, o segundo para matar. E num duelo ganha quem mata.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Os programas da manhã na TV

Qualquer pessoa de bom gosto se sente deprimida a ver os programas da manhã da televisão portuguesa. São praticamente iguais, depois têm umas rubricas populistas, umas histórias dramáticas para se chorar, tentam ter humor de simples compreensão para domésticas. Em comum na RTP, SIC e TVI repara-se na pouca capacidade de reinvenção de formatos pouco originais.

Ali ao lado na vizinha Espanha - e a televisão espanhola não é melhor que a portuguesa - a batalha das manhãs também é feroz, mas tem variáveis mais interessantes. "La 1" (TVE) aposta na actualidade, investigação, crónica social, saúde e cozinha. A Telecinco, com Ana Rosa Quintana (escreve na revista do El Pais aos domingos), que lidera o segmento, este ano arrancou a sua temporada na Palestina e recebe políticos a quem deixa que as pessoas interpelem. Primeiro convdado, o novo líder do PSOE, Pedro Sanchez. A Antena 3 tem também a actualidade como marca, dão palco à política e seguem assuntos sociais.

Às vezes é bom que se olhe para o que os outros fazem para podermos evoluir. Em Portugal parece que as manhãs se copiam apenas umas às outras, num exercício de parolice que afasta outros públicos que não têm pachorra para piadas fáceis nem berrarias.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

As duas Rússias de Putin

«Vejo dois Putins distintos. O primeiro era um reformista que teve de trabalhar em prol do seu país multinacional e queria mudar a imagem da Rússia. O outro é um individualista que não encaixa com o presente e deseja que a sua nação seja percebida como se fosse um poderoso império com os czares a mandar. O mais recente é um homem do antigo regime. Desgraçadamente parece que a última versão é a mais popular entre os seus compatriotas e dentro da sua órbita de influência nos países ex-soviéticos».

Lech Walesa, ontem em entrevista à revista do El Pais

A relação de Paulo Bento com os portugueses

A miserável derrota de Portugal contra a Albânia, selecção que muito poucas vezes tinha conseguido vitórias fora do seu território, veio expor muitas coisas, algumas delas que qualquer pessoa com bom senso já tinha visto.

Sem Cristiano Ronaldo somos uma equipa banal; as gerações Queiroz já acabaram; o campo de recrutamento está limitado; as expectativas sobre os objectivos da selecção têm de ser realistas; a renovação de jogadores já devia ter sido iniciada; o futebol português precisa de limites à importação de estrangeiros.

E sobre Paulo Bento é simples de avaliar. Ele perdeu o mais importante: perdeu a confiança de todos os portugueses. E isso é irrecuperável. E perdeu-a dentro e fora de campo, na vertente técnica e na vertente de gestão de recursos que tem ao seu dispor com escolhas muito questionáveis. Parece que só nos gabinetes da FPF ainda acreditam nele.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Duas notas sobre Hélder Rosalino na administração do Banco de Portugal

1- Mais um caso exemplar em como dá imenso jeito passar pelo Governo, obter informação valiosa, ganhar notoriedade e a seguir já se tem a vidinha tratada.

2- O que me deixou surpreendido na notícia, foi o facto de não ter sido Marques Mendes a dar a "cacha". Ele que se tornou a Maya da política e oráculo do regime.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A quem interessam as notícias negativas sobre a TAP?

Durante este Verão tornaram-se cansativas as notícias quase diárias sobre problemas na TAP. A nossa companhia de bandeira é uma boa companhia. Tem problemas às vezes? Tem. Como tantas outras por esse mundo fora.

Mas nos últimos tempos é quase abusivo o número de notícias negativas que afectam a credibilidade e reputação da TAP. Qual o objectivo? Simples. Quanto menor o valor de mercado da companhia, menor será o preço para aqueles que a querem comprar no seu processo de privatização.

Assustar pessoas, afastar potenciais passageiros, criar a imagem que a TAP tem problemas técnicos quando Portugal e a empresa tem dos melhores técnicos de manutenção e reparação de aviões do mundo, está nos manuais que toda esta operação tem fins ínvios.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A reinvenção de Kate Moss

Kate Moss é um dos maiores rostos do mundo da moda. Uma modelo que passou de rebelde com contratos cancelados com diversas marcas, em virtude dos seus vícios a que nenhuma delas queria estar ligada, para uma diva de 40 anos que ultrapassou problemas e se mantém como ícone deste universo.
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Tem uma longevidade de 25 anos no seu mercado. Coisa rara, pois esta máquina da moda tritura rapidamente as suas caras e procura renovar-se quase diariamente. O seu magnetismo é eterno e assim o seu potencial de atractividade das grandes marcas renasceu.

Hoje, a sua imagem é disputada para os produtos para mulheres de mais de 40 anos, logo aquelas que têm maior capacidade financeira para cuidarem de si próprias. Kate Moss soube reinventar-se a tempo e preservou o seu mito. Ela que, como Marc Jacobs dizia, «é a rapariga mais perfeitamente imperfeita».   

domingo, 31 de agosto de 2014

Carlos Barroca e a magia da NBA

Sou dos que ainda se lembra de Carlos Barroca, com o saudoso João Coutinho, a lançar a NBA em Portugal na RTP2. Eram os tempos de Larry Bird, Magic Johnson e Michael Jordan e marcaram a minha adolescência.

Depois, com a introdução dos canais de desporto, Carlos Barroca tornou-se o grande embaixador da NBA em Portugal, senhor das madrugadas, narrando espectacularmente como um grande comunicador que é, aliando também uma dose de boa disposição à sapiência e conhecimento do jogo que tem.

A NBA é a melhor liga de basquetebol do mundo, tem uma magia própria e é um grande espectáculo de televisão. Mas já imaginaram o que seriam as madrugadas sem a voz e a capacidade de comunicar e ligar as pessoas do Carlos Barroca?

Pois vamos ter de começar a imaginar. Ele parte para uma missão de muito prestígio e que valoriza também o nosso País, a de director de operações da NBA na Índia. Um enorme desafio a que dará toda a sua simpatia e paixão. Boa sorte e regresse sempre.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Marina Silva: o nada com carisma

Uma tragédia que leva a vida a um candidato promissor, e já um excepcional político, trouxe de novo Marina Silva para a ribalta. Essa mulher, escreve J. R. Guzzo na última edição da Veja, «Marina, como a Rússia descrita por Churchill, é uma charada envolvida em mistério que fica dentro de um enigma».

Marina é mesmo indecifrável. Tem, desde a última eleição presidencial, o apoio dos jovens e do eleitorado urbano como se um elemento de frescura e novidade se tratasse. Mas a sua carreira desenvolve-se dentro do PT com quem depois cortou.

Parece romper com o sistema, mas é apenas um elemento que se desagradou com o sistema onde antes habitava. É vaga, apesar de conhecermos a defesa da ecologia e a sua ligação aos evangélicos, é um nada com uma biografia e história de vida perfeitos para um currículo de qualquer candidato.

Era vice na chapa de Eduardo Campos que contava com ela para lhe dar mais notoriedade e entrada nos centros urbanos onde ainda era pouco conhecido. Mas, nesse papel, Marina não lhe estava a trazer nada. De repente, por uma qualquer decisão dos deuses que comandam o destino, vê-se lançada a combater Dilma e Aécio Neves (um grande candidato e provavelmente o melhor político da actualidade, com tudo para ser um bom presidente).

Além do nada, ela tem algo que mobiliza, que emociona, que a torna empática: o carisma. Essa palavra tão difícil de definir e hoje tão rara e que a pode levar a ser a próxima presidente do Brasil.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os melhores amigos das estrelas de Hollywood

Interessante artigo do El Pais de hoje sobre as consultoras de imagem das estrelas de Hollywood que se tornam também elas estrelas. E um novo sector de trabalho ainda pouco explorado por cá. O artigo que recomendo pode ler aqui.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Estou preocupado com «a nossa Merkel»

Não há coincidências na vida, muito menos na comunicação. Quando Marques Mendes, o arauto das preparações no terreno das novidades do Governo, na SIC, lançou Maria Luis Albuquerque como nome para o futuro do PSD, aqui escrevi, assustado, que só em Portugal uma coisa destas era possível.

Depois "arranjaram" visitas da ministra a assuntos sociais, o que dá bons bonecos em televisão, para lhe adocicar a imagem. Hoje, vejo na primeira página do Expresso: «Quem é e de onde veio a nossa Merkel».

A colagem à chanceler alemã, a preparação no terreno comunicacional para o seu crescimento político, o misto de criação de uma mulher de linha dura com rosto humano, é apenas a concretização de mais uma daquelas declarações sibilinas de Marques Mendes, que nada têm de sibilinas pois são apenas de porta-voz do Governo.

Confesso que me mantenho assustado. Não gosto de mulheres sonsas e não reconheço cultura democrática (e cultura, então, é zero) nem densidade política nem ideológica à Miss Swap.

E cada vez mais torço o nariz a quem mente e esta ministra já mentiu várias vezes. Até na questão pessoal, em entrevista a José Gomes ferreira, das suas poupanças. Não me esqueço. E não quero nenhuma cópia - e as cópias são sempre piores que os originais - da Merkel em Portugal.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Emídio Rangel

O que tenho a dizer sobre Emídio Rangel que hoje partiu é simples:

Criou a SIC e a TSF e bastava isso para ficar na história dos media em Portugal.

Era um homem polémico que gostava do combate e ninguém lhe era indiferente. Tinha admiradores e ódios de estimação, e as grandes personagens são assim. Marcam.

Não esqueço que nos últimos anos se tornou um maldito. Diabolizaram-no. E hoje há com certeza muitos hipócritas a homenageá-lo mas que há pouco tempo lhe viravam a cara. Como é que ele esteve tanto tempo numa qualquer prateleira sem lhe darem a atenção e o palco que merecia? É assim Portugal, um pobre País que não respeita o mérito e o valor de quem o tem. Paz à sua alma.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Moedas como Comissário Europeu

Lá de fora escolheram um medíocre, com um mandato miserável no Banco de Portugal, para o BCE, Vitor Constâncio. Depois, premiaram um assessor internacional de todas as maldades e que ainda falava devagar de propósito, para a tortura ser maior aos portugueses, para outro cargo internacional, Vitor Gaspar. A seguir, ainda pensaram levar para Comissária a sonsa-mor do reino, que se faz de pobrezinha mas que seguiu a eito o caminho das maldades do antecessor, a miss Swap, Maria Luis Albuquerque.

Mas desta vez calhou ao Carlos Moedas. Há uns anos atrás, quando almocei com ele na Trattoria e ele comandava em Portugal um fundo, longe estaria ele de imaginar que acabaria em Bruxelas, escolhido pelo Primeiro-Ministro. É a vida. Mas pelo menos escolheram um tipo racional e simpático.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

O contraste no Banco de Portugal

A cada dia que passa, vemos bem a diferença e o contraste entre quem geria o Banco de Portugal. Carlos Costa desempenha o seu papel enquanto entidade supervisora, Vitor Constâncio fechou os olhos, fez que não viu nada. Um é bom, o outro foi medíocre.

A capa da Sábado com José Sócrates

Nenhum jornalista escreve por invenção. Escreve o que fontes credíveis lhe transmitem e após investigação e verificação das informações recebidas. A Sábado hoje avança com uma capa dura, agressiva, mencionando que José Sócrates está a ser investigado e pode ser detido por causa do caso Monte Branco.

Sócrates acusou a mesma de "mentira" e "canalhice". E a Justiça portuguesa desmentiu-a, mesmo antes de ela ser publicada. É um contra-ataque à credibilidade da revista que, pelo menos seguindo os dois visados, terá de procurar melhores fontes ou então revelá-las neste caso que é grave para a sua reputação.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A imprevisibilidade dos líderes

Um líder deve ser imprevisível. E num tabuleiro de xadrez não deve ter apenas uma saída, mas várias. Quanto menos se conhece o seu pensamento e aquilo que intrinsecamente o move, maior é a capacidade de enervar os adversários e ao mesmo tempo marcar o território e as decisões contrárias.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O caloteiro que os media promoveram

Lorenzo Carvalho o ano passado surgiu em Portugal tipo paraquedista. Ninguém sabia quem era a criatura, no entanto, entrevistas, reportagens em toda a media, entre as quais a famosa do seu aniversário em que teve como convidada Pamela Anderson.

Surgiu tatuado, a pagar champanhes de 5 litros, contratou mulheres, seguranças, deu despesa, organizou mega festas e deu calotes. Vendeu que era milionário e o miserável povo português andou atrás e mais grave nenhum jornalista investigou de onde vinha o dinheiro ou se era apenas fogo-de-vista. São centenas de milhares de euros de dívidas, deixadas por um palerma que enganou outros tolos.

Num ano, dois casos risíveis: este e Baptista da Silva que aparecia em todo o lado como analista e convidado e, segundo a imprensa, era um burlão. Portugal é um País onde as suas gentes parece que gostam de ser enganadas e os media, em muitos casos, são coniventes. Este Lorenzo era uma fraude e tantas que andam por aí.